Um viajante chega à
beira de um rio muito grande. A margem do lado onde se encontra é
perigosa, assustadora e povoada de animais selvagens. O outro lado do
rio parece ser um local seguro, que não oferece perigos. Ele não vê
nenhuma ponte para cruzar o rio, nenhum barco. Toma então a decisão
de construir uma jangada com galhos de árvores, ramos e folhas.
Depois, usando as mãos e os pés, atravessa o rio com ajuda desta
jangada. Chega são e salvo à outra margem, que é realmente
tranqüila e reconfortante.
Depois diz para si mesmo:
“Esta jangada me foi muito útil. Graças a ela atravessei de uma
margem para a outra. Seria melhor que eu a levasse comigo onde quer
que fosse”.
Afasta-se, com a jangada
nas costas.
Buda considerava este
homem, que levava uma jangada nas costas, como alguém insensato.
Recomendava a seus discípulos que se desfizessem “até das coisas
boas” e mesmo de excelentes ensinamentos sob pena de se comportarem
como loucos.
(Texto retirado do livro "Círculo dos Mentirosos" organizado pelo escritor francês Jean Claude Carrière).
Só a sabedoria é capaz de ensinamentos assim...
ResponderExcluirMaravilha!