Sempre que vou a shows em teatro fico imaginando o quanto seria
mais interessante ouvir o cantor/instrumentista sem que a plateia
batesse palmas ou cantasse junto.
Justifico a necessidade de silêncio não por demofobia, tão em voga
na sociedade brasileira atualmente, mas pelo fato de que se vamos
ao teatro assistir ao artista preferido não o será para ficar ouvindo
um chato desafinado ao lado que nem a letra sabe cantar.
O maestro e pianista Daniel Baremboim em "a música desperta o tempo"
afirma que "o som não é independente - não existe por si mesmo, mas tem
uma relação permanente, constante e inevitável com o silêncio".
O maestro argentino exemplifica na Sonata Op.13 de Beethoven,
mais conhecida como Sonata Patética, quando a música é propositalmente
a interrupção do silêncio, enquanto que na Sonata para piano Opus 109, também
de Beethoven, a música se desenvolve como continuação do silêncio.
Por fim, o silêncio sempre significará o final da música e quando este final se der
como uma morte lenta e agonizante as palmas da plateia quebrarão seu efeito.
Completa o maestro argentino: "por isso é tão desagradável quando a plateia entusiasmada aplaude antes que o último som tenha desaparecido lentamente,
porque há um momento final de expressão, que é precisamente a relação entre
o fim do som e o começo do silêncio que vem em seguida. Neste aspecto, a
música é um espelho da vida, pois ambas começam e terminam do nada.".
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